O que eu aprendi sobre conexão humana viajando

O que eu aprendi sobre conexão humana viajando

Nem sempre eu fui assim. Nem sempre eu tive esse interesse genuíno pelas pessoas e suas histórias, nem sempre eu quis realmente compreender sobre como o outro se sente. E nem sempre eu percebia a conexão humana como caminho para tudo que queremos realizar e nos realizar na vida.

Durante a primeira parte da minha vida, eu vivia só focada no eu, eu, eu, eu. O que eu queria, o que eu não gostava, como todos estavam errados, e porque eles não fazem as coisas dessa maneira que obviamente era a melhor maneira: a minha.

Eu achava todos eram diferentes de mim, e que ninguém me compreendia.

Até que eu comecei a viajar.

Todos nós sentimos o mesmo.

Não importa de onde você vem, nem quanto dinheiro você tem, todos nós sentimos o mesmo. Independente da sua cultura, da cor da sua pele, ou da língua que você fala.

Nesse momento, existe uma jovem na malásia que está com as mãos na cabeça e coração apertado com dúvidas sobre o futuro, com perguntas sobre si mesmo, ansiosa com as respostas que não vem. Essa jovem também está no Brasil, na Argentina, nos Estados Unidos, na Alemanha e na Austrália.

Nesse momento, existe um senhor na Croácia que chora com a dor da perda de alguém que ama. Esse senhor também está em Portugal, no Canadá, no Marrocos, no Tahiti e na China.

Nesse momento existe alguém feliz se casando no Iraque, na França, na Indonésia, celebrando o amor e cheios de planos para o futuro.

Nesse momento existe alguém na Espanha que se sente só, que só queria ter alguém com quem conversar.

Nesse momento existe alguém em Angola, que está tão feliz só por poder dançar, assim como o alguém no Rio que está feliz só por poder sambar.

Nos sentimos inadequados por não ter respostas que ninguém tem. Choramos quando perdemos alguém que amamos, ficamos tristes quando não somos aceitos. Temos medo, muito medo, dúvidas, nós sentimos só, amamos, sorrimos, buscamos significado e sonhamos.

Queremos liberdade e transformação. Queremos amor, queremos uma vida em paz.

Guardei esse video, porque eu acho que ele mostra em alguns minutos essa visão que ganhei ao longo dos anos. Ele mostra uma ação, promovida por uma empresa de pesquisa online para viagens, que resultou no sensível e tocante vídeo abaixo:

São as nossas histórias que nos conectam

As histórias nos conectam porque a forma como narramos nossas experiências, comunica os nossos valores, crenças e sentimentos.

E quando identificamos crenças, sentimentos e valores semelhantes aos nossos, nos sentimos conectados, porque sentimos que essa pessoa nos compreende e nos sentimos pertencente.

Algo que eu considero muito especial e comecei a fazer depois que comecei a viajar é me interessar pela história das pessoas com quem cruzo caminho. Através das suas ações e movimentos de vida, podemos conhecer as motivações e sentimentos que guiaram seus caminhos. As cidades e os contextos podem ser diferentes, mas o que sentimos do lado de dentro é o mesmo em qualquer lugar do mundo.

Enquanto viajo, constantemente cruzo com pessoas que me contam que decidiram começar a viajar porque não se sentiam compreendidos em suas cidades, porque as pessoas do lugar de onde vinham eram muito julgadoras e superficiais, porque precisavam de espaço para entender quem eles realmente eram, porque não sabiam o que queriam fazer da vida, porque estavam cansados das pressões para andar na direção que não faziam sentido pra eles.

Pessoas de diferentes lugares do mundo com a mesma história. Será que isso é um problema da cidade deles, ou uma questão humana na busca por independência e auto-realização?

Humanidade em todos nós

“Compaixão se torna real quando nós reconhecemos a nossa humanidade compartilhada”. Viajar faz com que reconheçamos a nossa humanidade compartilhada até nas culturas mais diferentes e exóticas quando comparada a nossa porque nos reconhecemos no outro.

É em um sorriso, uma gentileza, uma ajuda, uma solidariedade. Viajar te ajuda a desenvolver compaixão, porque viajar te deixa vulnerável. Isso não é incrível?

De acordo com a Brené Brown, o coração da compaixão é verdadeira aceitação. Quanto melhor formos em aceitar a nós mesmos e aos outros, mais ‘compaixonados’ (acabei de inventar essa palavra) nos tornamos. Assumir quem somos verdadeiramente é um desafio, pois isso só acontece quando nos colocamos em uma situação de vulnerabilidade. Assim como descobrir a magia da verdadeira viagem pelo mundo.

Pessoas são inerentemente boas

Diferente do que os jornais nos fazem acreditar. Faz parte de ser humano a inclinação por ajudar ao próximo. São incontáveis as histórias que coleciono de momentos de perrengues, onde do nada, um alguém apareceu, e sem pedir nada em troca, me salvou daquele momento, só porque eu precisava e el@ podia se disponibilizar.

Nesse video abaixo, documentei uma viagem de carona onde precisei de 6 caronas de desconhecidos para chegar o destino. Nele eu mostro, provo e comento sobre essa humanidade que existe nas pessoas em ajudar estranhos como instintiva.

Todo jornal fala: o mundo é um local perigoso. O que acontece é que onde concentramos a nossa energia aquilo se expande. Se passamos a consumir mais informação que nos mostram o lado negativo, vamos ver isso por todos os lados e viver com medo. se passomos a consumir mais informação que nos mostram o lado positivo, vamos estar mais abertos a essas experiências.

Normalmente nos sentimos mais inseguros sobre o mundo quando estamos no quentinho do nosso sofá, em nossas casinhas, do que quando estamos lá fora vendo o mundo com o próprios olhos.

A questão é que se você ver no jornal que um avião caiu nos Estados Unidos, você provavelmente ficará com medo de voar nos Estados Unidos. Ainda que os outros 759243695 vôos daquele dia tenham sido bem sucedidos. Percebe? É isso que os jornais fazem com as pessoas. Você vê no mundo o seu reflexo, e consequentemente o tipo de conteúdo que consome.

Fica a dica aqui do portal da boa notícia. A medida que você muda o que você consome você passa a ver o mundo com um olhar diferente (e as pessoas também).

E por favor, veja isto: 15 posts para você continuar acreditando na humanidade – do buzzfeed

Porque o outro é espelho, a medida que você se conecta com o outro, você se conecta com você mesmo

A cada conversa descobrimos um pouco mais de nós mesmos.

Uma vez, trabalhei em um hostel por um mês com 14 pessoas de diferentes lugares do mundo. Cada um com uma história diferente, cheias de similaridades. A medida que me colocava interessada e disponível para entender mais sobre cada um, percebia que cada um deles, por mais diferentes que fossem, por mais histórias improváveis que tivessem, refletiam uma parte de mim.

No final do mês, deixei 14 cartas escritas, falando sobre o que eu admirava em cada um deles, e o que eu tinha aprendido com cada um que me inspirava a ser mais eu.

Todos estamos na busca por pertencimento e conexão.

Nós todos buscamos conexões mais profundas com outros e com nós mesmos, nós todos queremos experimentar a humanidade que existe em nós. Porque quando nos conectamos, damos um tanto de nós e levamos um tanto do outro.

O que separa as pessoas são as expectativas sociais. Vivemos uma dualidade interna, que oscila entre a história que achamos que temos que contar para a aprovação externa e a história que queremos viver, mas não sabemos exatamente qual é.

Quando viajamos, passamos a ser um desconhecido, um zé qualquer, e nesse formato, ao encontrar pessoas ao longo do caminho, sem a necessidade de nos provar, contamos a história mais verdadeira que há: a que vivemos até hoje cheias de perguntas, frutrações, sonhos, dores e memórias felizes do que realmente importa para nós.

Como um forasteiro, as pessoas nos vêem como alguém à quem elas não devem nenhuma prestação do que deveriam ser, e buscam uma conexão que permite um espaço onde elas sejam um pouco mais elas, sem pressão.

Quando você se importa sobre o que os outros pensam, você está esquecendo de você.

Todos nós aprendemos e crescemos com as histórias que contamos e ouvimos.

Nathalia Montenegro

Artigos relacionados:

Como contar a sua história para conectar com as pessoas certas

Persona: uma oportunidade de conexão verdadeira

A humanização das marcas na armadilha do lifestyle


O que você achou do artigo? Divide comigo suas percepções sobre o assunto 

Espero que o meu conteúdo faça o seu dia, como o seu comentário faz o meu!

Me segue no instagram para acompanhar textos e reflexões em tempo real sobre viver uma vida de aventura, storytelling para marcas e como histórias conectam pessoas.


Se inscreve na minha newsletter ‘Por trás da História’ – Faça parte dessa conversa, onde eu compartilho recursos, estratégias e pensamentos sobre:

  1. Storytelling para negócios
  2. Comportamento humano e conexão
  3. Reflexões sobre coragem {e vida}

0 comments on “O que eu aprendi sobre conexão humana viajando

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *