De volta a realidade né? - Quantas vezes você já escutou isso?

“De volta a realidade, né?” – Quantas vezes você já ouviu isso?

“De volta a realidade, né?” – Dizia meu pai sempre que eu chegava de uma viagem.

“Essa é a minha realidade”, eu respondia com os dentes cerrados, tentando conter o transtorno que essa frase me dava.

Essa era uma citação recorrente ao meu redor. Não só para essa situação, mas para todos que experimentavam momentos de desfrute da vida e de qualidade de tempo.

Agradeço sempre (a mim mesma) por ter tido a consciência do quão prejudicial e sem sentido essa fala é.

Nas vezes que não me contive, eu respondia com uma atitude séria e explicativa sobre o perigo dessa frase. Só para ouvir “calma.. é só uma brincadeira, modo de falar.”

Nossa sociedade tá cheia de modos de falar que matam vidas incríveis.

O perigo escondido

O que esse dito encobre de tão perigoso é a crença de que qualquer experiência que não seja sofrível ou penosa, e que consista em sentir prazer por estar vivo, é mero lapso da realidade. E de brincadeira em brincadeira, vamos levantando muros que definem o limites do tipo de vida que podemos ter.

Quantas vezes na vida não passamos por isso? Pais, professores, amigos, nos dizendo qual é “A realidade” e que devemos ficar dentro delas.

Você já se perguntou por que que tem tantas pessoas se preocupando de que lado da realidade você está?

Porque ter pessoas ao seu redor que habitam dentro dos mesmos muros, ainda que não faça da nossa vida melhor, nos faz mais confortáveis em existir dentro da conformidade de que tudo é assim mesmo e pronto.

Ter alguém ou “alguéns” ao seu redor que existam fora da realidade – do padrão – do senso comum, é questionar a si mesmo diariamente, se existem outros caminhos, outras possibilidades, outros formas de fazer e de viver. E se por um lado, isso pode soar como sendo a melhor escolha, do ponto de vista lógico, pode ser bem desconfortável quando não há abertura para o desconhecido.

O que é a realidade?

As palavras importam. Esse é um mantra que carrego pra vida. O problema de usar a palavra realidade dentro desse contexto é que a realidade só existe na concepção de cada um de nós.

Não existe uma realidade única.

Leia de novo:

Não existe uma realidade única.

Realidade significa “tudo que existe”. E vamos combinar que, tudo que existe na sua vida é bem diferente de tudo que existe na vida do outro. E tudo que existia na sua vida há 10 anos, pode ser bem diferente do que existe hoje e do que existirá em cinco. Ou seja: a realidade está em constante transformação.

Não era realidade que o homem pudesse voar até Santos Dumont acreditar que era. Não era realidade você ler esse texto na tela do seu celular até alguém acreditar que as pessoas poderiam estar conectadas de outra forma.

Quantas pessoas você ouviu dizendo que receber um salário X estava dentro da realidade, fazer assim e assado estava dentro da realidade, mas qualquer coisa que passasse disso não.

O mundo que nos cerca

Há meses na minha lista de assuntos sobre o que escrever, esse texto foi pouco a pouco sendo deixado para depois. Sempre aparecia algum outro assunto mais prático que eu julgava ser mais importante trazer por aqui.

Até que eu comecei a notar pessoas aceitando coisas muito abaixo do que eu enxergava que eles poderiam experimentar, porque aquilo era tudo que eles acreditavam ser possível.

Esse sentimento encontrou com uma passagem do livro O obstáculo é o caminho, que me fez refletir que vara de pescar para quem não vê mar, de nada serve. E o quão urgente é estimular a consciência sobre o mundo que nos cerca.

Escolha com sabedoria as pessoas ao seu redor

Cerque-se de pessoas que estejam dentro da realidade que você quer pra você.

Abaixo compartilho o trecho do livro que me acordou para publicar esse texto:

“Para a maioria de nós, sentir-se confiante não é fácil. Isso é compreensível. Tantas pessoas nas nossas vidas tem nos dito sobre a necessidade de ser realista […] Isso é uma desvantagem enorme em relação a tentar realizar “coisas grandes”. Porque apesar de nossas dúvidas (e auto-duvidas) parecerem reais, eles tem pouca ou nenhum base no que é ou não possível. Nossa percepção determina, em um grau enorme, o que nós somos ou não capazes de fazer. De muitas formas, elas determinam a nossa realidade. [..].”

“É por isso que não deveríamos ouvir muito de perto o que outras pessoas dizem (ou o que a voz na nossa cabeça diz, também). [..]”

“Uma semana antes do primeiro computador Macintosh ser descartado, os engenheiros disseram ao Steve Jobs que não conseguiriam entregar na data limite. […] os engenheiros explicaram que eles precisariam de mais duas semanas antes de ficar pronto. Jobs respondeu calmamente, explicando aos engenheiros que se eles poderiam fazer em duas semanas, com certeza poderiam fazer em uma – não havia diferença entre um período tão curto de tempo. E, mais importante, já que eles tinham chegado tão longe e feito um trabalho tão bom, não haveria outra possibilidade senão enviar na data. A insistência dele fez com que isso tivesse se tornado possível.”

Jobs se recusava a tolerar pessoas que não acreditavam nas próprias habilidades para ter sucesso. [..] Ninguém acreditava que a Apple poderia fazer os produtos que fez. De fato, Jobs foi pressionado para fora da Apple em 1985 porque o quadro de diretores naquela época julgaram o seu plano para produtos um “plano lunático”.

Jobs aprendeu a rejeitar os primeiros julgamentos e objeções que vinham deles porque essa objeções eram quase sempre enraizadas no medo. […] Seja realista, nos disseram. Escute os feedbacks. Seja bom com os outros. Comprometa-se.”

E a parte que me chamou mais atenção foi o fato de Jobs ter demitido um dos engenheiros por ele ficar repetindo que algo não era possível. Isso me fez pensar sobre as pessoas que precisamos demitir das nossas vidas. Não porque elas sejam pessoas ruins, mas porque elas só não nos ajudam a expandir nossa consciência e habilidades para ser a nossa melhor versão.

E o quanto é importante desenhar um ambiente onde estejamos cercados de pessoas que o “natural” para elas parece a “sorte” aos olhos dos outros.


O que você achou do artigo? Divide comigo suas percepções sobre o assunto!

Espero que o meu conteúdo faça o seu dia, como o seu comentário faz o meu 🙂

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1 comment on ““De volta a realidade, né?” – Quantas vezes você já ouviu isso?

  1. Priscila

    Como sempre seus textos me fazem viajar e ao mesmo tempo consigo fazer uma analise intensa do que se passa ao meu redor e das pessoas com quem me relaciono, sempre que leio algum texto seu consigo reavivar meus desejos de uma forma mais clara e não tão fora do que julgam os padrões convencionais. Obrigado por tanto.

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