Escrita conexão em anúncio

O que me fez clicar em um anúncio pela primeira vez em anos

E a primeira vez em qualquer anúncio.

Eu sou o tipo de pessoa que tem verdadeira resistência à anúncios quando eles estão no meio do caminho de algo que eu quero consumir. Isso acontece sempre antes de assistir qualquer video no Youtube. A forma como me sinto é como se alguém estivesse me distanciando e/ou me fazendo esperar mais, pelo o que realmente eu quero ver.

Então, eu uso aqueles cinco segundos obrigatórios de publicidade para testar a minha concentração em direção a ser a pessoas mais rápida a clicar “pular anúncio” assim que possível.

Mas hoje foi diferente. E eu vou te contar porque. No entanto, já adianto uma observação: pode ser que esse vídeo não seja interessante pra você, ou capte a sua atenção como captou a minha. E ainda bem. Espero que seja assim. Porque o elemento chave desse vídeo e o que fez ele funcionar foi a especificidade ao determinar “para quem” ele seria rodado.

Uso o vídeo e a minha experiência com ele como exemplo para te explicar algumas coisas sobre empatia e conexão.

Momentos importantes do roteiro

[Momento 1]

O video começa com a fala “o que faz uma pergunta uma boa pergunta?”

Esse questionamento me parou.

Se você me acompanha pelo instagram provavelmente já sabe que perguntas é o que me move, e sem dúvida é um dos meus assuntos favoritos de estudo. Sem falar que o meu trabalho é basicamente sobre fazer as perguntas certas. Algo nada fácil e que vem como consequência de experiência e de muito estudo em áreas diversas.

Quando eu ouvi essa pergunta, eu precisei pensar. E ai a minha concentração nos cinco segundos já era. Ele teve a minha atenção.

[Momento 2]

Ele continua falando que as suas perguntas favoritas são perguntas aparentemente “bobas”. O que fez com que gerasse uma pergunta na minha mente “Por quê? Por que essas são suas perguntas favoritas?” Quem é esse cara?”.

[Momento 3]

História: “Eu conheci uma mulher uma vez e eu disse…”

Nós gostamos de histórias. Eu gosto de histórias. Mas para contar uma história você precisa primeiro ter a atenção de alguém. Ele já tinha a minha.

Rápida revisão até aqui:

  1. Ele pegou minha atenção através de um interesse comum.
  2. Ele me fez engajar com ele (mentalmente), através desse interesse comum.
  3. Ele está me contando uma história. (sou sua)

[Momento 4]

Em seguida minhas perguntas mentais são respondidas:

Autor best seller do New York Times

Personalidade pública do Rádio

3 vezes nomeado ao Grammy.

Peguei minha “pipoca”.

[Momento 5]

Estamos chegando a algum lugar, estou começando a entender a razão desse video existir:

“Nessa aula, eu falo sobre conectar com as pessoas e fazer perguntas a elas.”

“Sério?”, eu penso. Isso é o centro do meu trabalho! Do meu estudo! Dos meus interesses! E esse cara é bom! Ele conseguiu a minha atenção! Por favor, vamos continuar…

Então, ele continua:

“eu falo sobre ter um diário”. – (eu também tenho um diário)

“eu vou ler alguns do meus textos publicados” – (isso seria interessante)

A seguir ele compartilha algo pessoal, algo sobre a família dele. (nossa, esse cara é humano que nem eu, ele tem uma família).

O video continua com a lista de tudo que ele vai ensinar:

→ começos e fins de textos

→ manter um diário

→ transformar observação em história

→ Escrever sobre pessoas que você ama

→ Conectar com pessoas

[Momento 6]

“Eu sento e escrevo a mesma coisa de 12 a 18 vezes no meu diário. Escrever é reescrever. Eu leio em frente a uma audiencia e faço anotações, e reescrevo, leio e reescrevo, leio. para ter uma ideia do ritmo geral.”

Esse foi o momento de “entrega” de algo que seria útil pra mim, o seu processo de escrita, algo que eu já posso aplicar agora.

[Momento 7]

Depois ele me alerta sobre os perigos, os deslizes que podem vir a ser cometidos.

  • “O perigo é escrever algo que somente “para”, mas que não tem um fim.” (faz sentido!)
  • “Uma grande parte de escrever é sobre confiar em você mesmo e isso vem com a experiência” (sim! Sim! Concordo com isso! Eu era muito ruim em escrever quando comecei, mas com o tempo você vai sentindo o que funciona e o que não funciona).
  • “Eu escrevi todos os dias por 15 anos antes do meu primeiro livro sair. E a maioria dos escritores que eu conheço tem histórias similares.” (aqui ele me fala sobre o caminho da escrita).
  • “Escreva algo que cheia mal, tente e falhe. Falhar é fantástico, não subestime a falha.” (Aqui ele me abraça).
  • “Você tem que conectar com as pessoas em algum nível”. (Aqui ele fala sobre uma necessidade humana geral).
  • “Hoje é uma oportunidade para conectar com alguém, e é isso que faz a vida valer a pena ser vivida.” (Expressão de algo que ele acredita, nossa que coincidência, eu também acredito nisso).
  • “Eu sou David Sedaris e essa é a minha master class.”

Vendido.

Nem espero terminar e já clico no link do masterclass.

E o vídeo do Youtube que eu queria assistir? Só fui lembrar dele no dia seguinte. Fiquei tão impressionada em como esse roteiro conectou comigo que sentei na hora para escrever esse texto e dividi-lo com você.

O curso do David Sedaris é sobre escrita para quem quer escrever mais ou escrever melhor e se conectar com as pessoas. Eu não comprei o curso dele. Porque já fiz o curso de escrita criativa do Matheus de Souza, com quem eu me conecto muito no formato de comunicação e escrita simples que conecta.

Empatia, conexão e posicionamento: Porque esse video captou a minha atenção

Posicionamento

Antes de tudo, esse anúncio não estava jogado a aleatoriedade na internet. Ele estava vinculado à um vídeo (aquele que eu queria assistir, mas já esqueci) que era relacionado a comunicação e conexão com pessoas.

Então eu já estava “preparada” para este tema.

Conexão

Não sei se foram os robôzinhos do youtube e do google que contaram para eles dos meus interesses, mas foi fundamental que o início do vídeo trouxesse atenção de algo que é de grande interesse pra mim (ou seja que conecta comigo).

Empatia

Em se colocar no lugar da pessoa que ele queria alcançar (eu) , ele soube entregar alguma informação que me fosse útil e me alertar sobre os “escorregões” que eu poderia dar. E em nenhum momento, nenhum momento, parecer que está tentando me convencer de algo. Eu estava entretida. Entretida. Só mais uma vez: entretida. Em outras palavras: curiosa.

Ele disse que tinha que ter um final

Por mim eu terminaria o texto no parágrafo anterior, mas vai faltar o final. David Sedaris ficaria chateado se eu fizesse isso. Então vou fechar com um comentário.

O meu impulso e encanto ao escrever sobre esse vídeo/anúncio foi muito menos te oferecer um roteiro ou passo a passo de como fazer, e muito mais sobre chamar atenção para esses três pilares fundamentais que fizeram o vídeo funcionar: Posicionamento, empatia e conexão.

O perigo de fórmulas é que elas funcionam até não funcionar mais: quando o contexto muda. Por isso é importante entender de verdade o pensamento por trás, ao invés de só copiar e colar. Um guia ou orientação é muito mais rico e valioso quando você tem o domínio para adaptá-lo da forma que o contexto pede.

fim.

Escrita criativa

Se você se interessa por escrita assim como eu, e também achou legal os elementos abordados nesse texto, acredito então que vai curtir muito o curso de escrita criativa do Matheus de Souza.

Se ainda não ouviu falar dele por aí, ele é escritor do livro ‘Nômade Digital’ e também escreve crônicas pegajosas (no sentido de pegar sua atenção). Se já conhece ele, curte escrever, quer desenvolver a sua escrita, mas ainda não se inscreveu no curso, eu não estou entendendo a sua lógica de pensamento.

Ah, e pra dar uma força nessa quarentena, ele disponibilizou 30% de desconto com o cupom VAIPASSAR.

Não perde hein.

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