A história que eu contei que colocou a minha Startup na final

A história que eu contei que colocou a minha Startup na final

Quando eu fazia parte da Volar como uma das co-fundadoras, foram muitas as noites que viramos madrugadas para acerta a melhor forma de comunicar com clareza e eficácia a transformação que queríamos promover e fazer com que investidores, parceiros e usuários fizessem parte dessa grande visão.

A medida que colocávamos a mão na massa e criávamos conversas com os nossos diferentes público, mais clareza tínhamos da história que a Volar contava. O processo de entender e contar uma história como forma de se comunicar para alcançar resultados é como fazer uma escultura. Coloca-se a massa e esculpe, coloca-se a massa e esculpe, é um processo contínuo.

Foi essa história que esculpimos da realidade de um universo que levou a nossa startup como finalista do Prêmio Everis de Inovação e Empreendedorismo em Portugal. Entre os 10 finalistas, de centenas de inscritos, fazíamos parte das únicas 2 startups que tinham o foco em impacto social e humano, ao contrário da maioria que focava em soluções tecnológicas. Isso sim, já foi uma vitória.

Em um meio onde são tantas as startups com soluções incríveis e inovadoras disputam para serem ouvidas,

atenção é o prêmio para quem consegue se conectar.

Nathalia Monetenegro

Histórias são uma forma de comunicar o que você oferece de forma que faz sentido para o seu público

De volta ao início dessa história, a primeira vez que entrei em uma sala para trabalhar com a Maria Julia – que já trazia o projeto do Vale do Silício, onde foi mentorada pelo Head do Futuro do Trabalho da Singularity University – vi por todo lado, uma dúzia de cartolinas rabiscadas, post-its que iam até o teto, livros grifados e dezenas de frameworks preenchidos. Com tanta “informação” assim, ao invés de encontrar respostas, acabavam por gerar mais dispersão.

“Esquece tudo isso.”, falei pra Julia. “O que estamos tentando fazer aqui?”

“Passar a nossa mensagem e visão, mostrar que somos relevantes entre inúmeras startups, para sermos impulsionados a promover essa transformação.” ela respondeu.

Você, que está lendo esse texto agora, perceba isso: para que você se destaque aos olhos do outro, você não precisa ser a surpresa edição limitada super premium do kinder ovo, você só precisa se mostrar que é igual a ela e que entende essa pessoa que te escuta.

Como já dizia Tony Robbins “Pessoas gostam de pessoas como elas, ou como elas gostariam de ser.” Por isso é importante encontrar o ponto certo onde a sua história se conecta com a história do seu público.

Por isso, antes de se preocupar com o pitch perfeito, encontre a história certa.

A escada da conexão

Quem estaria avaliando os finalistas do prêmio seriam homens, executivos de multinacionais, a maior parte em seus +50 mais anos e com uma prática de negócios mais alinhada com o tradicional. Na apresentação para o Prêmio Everis, o que nós queriamos (além do prêmio, obviamente) era deixar claro o porquê que nós nascemos e porque era importante engajar com o nossa missão.

Uma vez que essa razão fizesse sentido pra eles, eles iriam querer saber o que a gente faz e como. E se isso fizer sentido, eles vão querer saber dos números, e se os números fizerem sentido, eles vão querer saber se somos capazes de realizar isso, mas porque contamos a nossa história, já irão deduzir que somos capazes pelo seu subconsciente, porque falamos o quanto isso é importa pra gente e para eles.

E motivação é mais importante que habilidade técnica, porque a habilidade você pode contratar, determinação não.

Dessa forma, imagine que o engajamento que você busca, acontece como se fosse uma escada. O seu objetivo de relacionamento com seu público está no último andar, e para chegar lá você precisa subir um por um, se tentar pular para o último degrau, você vai cair.

De novo: Atenção é o prêmio para quem consegue se conectar.

Entenda quem é o público – e pise em todos os degraus

Depois de uma história lapidada, foi assim que Maria Julia abriu a nossa apresentação como finalistas do Prêmio Everis de Empreendedorismo e Inovação:

“Você sabia qual carreira queria ter quando estava na faculdade?

(pausa)

Eu achei que sabia.

Eu queria estar no meio corporativo, ter esse título chic, eu queria estar nos prédios altos e correndo de reunião para reunião em Nova York.”

  • Degrau 1: Aqui espelhamos os desejos e anseios de quando se é jovem, ao traçar caminhos que pensamos nos levar a esse cenário que compramos há muito tempo como sendo consequência de uma vida bem-sucedida. Ambiente que os líderes e altos executivos sentados naquela sala viviam diariamente.

“E depois de muito estudo, tempo e esforço, eu consegui a minha própria versão disso,

mas não era como eu estava esperando.”

  • Degrau 2: O espelhamento da frustração. É óbvio que não era como eles esperavam também, mas como até poucos anos atrás as pessoas estavam acostumadas com uma carreira para a vida, eles continuaram por todos os anos seguintes.

“E esse é o problema. Expectativas quer dizer que nós não sabemos, expectativas quer dizer supor que algo vai acontecer. E se você não sabe, você só pode ter esperança, certo?”

  • Degrau 3: Mostrar o problema comum: ninguém de nós, nem eles, teriam outra forma de saber , a menos que já estivessem lá vivendo aquele cenário.

“Bem, imaginem um mundo onde nós poderíamos saber. Onde nós poderíamos experimentar diferentes trabalhos, diferentes posições e observar se aquilo sacia os nossos desejos e necessidades, e em como nós nos sentimos e produzimos melhor.”

  • Degrau 4: a sua visão encontra com o mundo ideal deles.

E ai lançamos os fatos: isso não acontece só com você.

“3 bilhões de pessoas no mundo não são engajadas, apaixonadas, ou animadas pelo o que fazem em sua jornada diária.”

Poxa, que merda hein! Tudo isso de gente, infeliz com o que faz?! – É essa consciência sobre como isso é um problema sério que queríamos levantar, e como isso iria impactar o mundo se fosse resolvido, ou ao menos aliviado. No entanto, só dizer “ei, isso é muito importante! Olha aqui!” não iria funcionar, eles precisavam sentir.

Bem, 3 bilhões de pessoas que não estão produzindo seu melhor, é muito prejuízo para as empresas, que poderiam estar otimizando recursos e pessoas (novamente é sobre eles que nos escutam: as empresas deles fazem parte dessas estatísticas), e para a saúde e felicidade das pessoas (se as pessoas que trabalham com eles são mais felizes, produzem mais e melhor e a rotatividade cai), que poderiam estar contribuindo ativamente com transformações positivas no mundo.

Uma oportunidade de inovar para as empresas, e uma oportunidade de experimentar para as pessoas.

Agora que temos atenção deles, podemos falar sobre a nossa solução. E no final recapitularemos a nossa real intenção:

  • Queremos romper com o caminho profissional tradicional que leva a frustração
  • Queremos repensar estereótipos profissionais.
  • e compartilhar melhores práticas entre indústrias diferentes para gerar inovação.

E fechamos, provando que isso é possível, porque vivemos isso:

“Eu estive no universo corporativo, e queria tanto mergulhar em inovação que fui e voltei ao Vale do Silício, trabalhei com startups em São Paulo, trabalhei com uma empresa tecnológica governamental americana com uma equipe totalmente remota em 18 diferentes países. Essa foi a minha experimentação Volar que me trouxe até aqui hoje.”

Coloquei essas experiências juntas para entender na prática o caminho que eu queria seguir e como era trabalhar com cada um deles, mas isso foi super arriscado e muito difícil.

Imagina se eu tivesse a Volar naquela época pra me ajudar com isso?”

Resultado(s) do Prêmio

Nós não ganhamos o prêmio, mas ganhamos algo que nem podíamos imaginar acontecer.

No final das apresentações, o presidente do Everis nos procurou para compartilhar a sua história. Ele contou sobre a suas vivências de vida que conectava com a nossa história e missão.

Contou também sobre como isso era importante porque o Everis como uma fundação tradicional estava tendo dificuldade em reter jovens talentos, e que essa troca de insights entre diferentes indústrias e experimentação, seria fundamental para mantê-los motivados a permanecer e a gerar inovação de dentro pra fora.

Ele pediu que apresentasse-mos uma proposta de projeto para implementar um programa como esse dentro da empresa Everis.

Histórias conectam pessoas e pessoas abrem oportunidades.

O que é Inovação

A inovação não é sobre inventar algo nunca visto, mas é sobre olhar para um problema, ou para uma questão que está sendo ignorado, com uma perspectiva diferente e novas soluções.

Resumo

  • Não conte fatos, conte a sua história, que espelha a história de muitos. E use os fatos para mostrar que a história é real.
  • Use a história para comunicar a sua visão e transformação que você promove.
  • Use os degraus de conexão.
  • Inovação é perspectiva e abordagem de solução, não invenção.

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